
O Esporte Ensina a Diferença Entre Falar e Fazer
- Henrique Saraceni
- 23 de ago.
- 2 min de leitura
Vivemos em uma época onde a palavra se tornou moeda. A opinião é performada como espetáculo, e a mentira, repetida com tanta convicção, transforma-se em verdade para quem a pronuncia. Há quem consiga sustentar narrativas inteiras sobre si mesmo, como se fosse possível moldar a realidade apenas pela retórica.
Mas o esporte, esse velho mestre, não tolera ilusões. No campo, na piscina, na quadra ou no tatame, não há espaço para discursos bem ensaiados. A verdade aparece na respiração ofegante, no suor que escorre, no corpo que resiste — ou não. Ali, o que foi falado perde força, e só resta o que foi feito.
Quem mente para os outros, mente primeiro para si mesmo. Mas o esporte tem uma brutalidade honesta: ele revela o abismo entre a promessa e a entrega, entre a imagem projetada e o esforço real. Não importa o quanto alguém acredite na própria farsa, o cronômetro não mente, a barra não se levanta sozinha, a distância não se encurta por vontade.
A filosofia já nos ensinava que a palavra é o espelho da intenção, mas é a ação que denuncia a essência. O esporte é, nesse sentido, filosofia em movimento: nele, a ética não está no que se diz, mas no que se sustenta na prática.
Treinar, competir, suar — tudo isso é um constante lembrete de que o corpo não aceita desculpas. O corpo não negocia com narrativas. Ele exige disciplina, exige coerência. E é nesse confronto entre a fala e a ação que descobrimos quem realmente somos.
O esporte, portanto, é mais do que saúde ou lazer. É o tribunal onde o falador encontra seu limite, e onde o fazedor prova, sem palavras, a verdade daquilo que é.



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