E Agora Xandão, Crédito No Pix?
- Henrique Saraceni
- 26 de ago.
- 2 min de leitura
Nos últimos anos, ficou evidente que o dinheiro deixou de ser apenas um meio de troca pra se tornar também um instrumento de poder. E poder dos grandes… governos, corporações e, principalmente, das empresas que controlam os fluxos financeiros globais.
Quer um exemplo? A tal da Lei Magnitsky. Os Estados Unidos, por meio dessa legislação, conseguem aplicar sanções a indivíduos e instituições que consideram envolvidas em violações de direitos humanos ou corrupção. O alvo da vez? Nada mais, nada menos que o ministro do STF, Alexandre de Moraes — o famoso Xandão.
Resultado? Bloqueio de ativos e restrição de acesso a serviços financeiros internacionais. E o mais curioso: até o cartão Elo, a nossa bandeira “brasileiríssima”, teve que seguir o baile e bloquear o uso fora do país. Por quê? Porque, apesar do nome e da bandeira nacional, o sistema de compensação de cartões da Elo depende da Discover, uma empresa americana. Ou seja, na prática, nem tudo que parece independente realmente é.
Essa história me pegou em cheio porque eu já tinha me deparado com esse controle gringo na pele. Quando desenvolvi o Saracoin — um token ERC20 na rede Ethereum — pensei que seria simples criar um site pra vender ou trocar o token com o público na internet sem depender de corretora. Mas aí caiu a ficha: pra aceitar pagamentos automaticamente, eu teria que passar por gateways e aplicações do PayPal para validar transações envolvendo dinheiro. Ou seja, mesmo no mundo descentralizado das criptos, a porta de entrada e saída do dinheiro ainda passa pelos mesmos gatekeepers.
E é aí que o Brasil aparece com um plot twist digno de filme: o Pix. Criado pelo Banco Central, rápido, acessível e praticamente sem taxas, o Pix virou um case global. Mas agora estamos indo além: vem aí o crédito no Pix — e esse movimento tem muito mais potência do que parece.
Porque não é só sobre mais uma forma de pagar parcelado. É sobre desenhar uma infraestrutura financeira própria, que não precise do carimbo das grandes bandeiras internacionais pra funcionar. Isso não significa romper com ninguém. Significa ter opções.
E olha a ironia: talvez o primeiro usuário de peso a depender do crédito no Pix seja justamente o Xandão, depois de ser bloqueado por Visa, Mastercard e até pela nossa Elo. É a vida dando voltas — e mostrando que, no fim do dia, até os poderosos podem precisar de uma funcionalidade lançada pra facilitar a vida de quem compra fiado na feira.
Agora, sendo sincero: eu mesmo ainda não usei o crédito no Pix. A funcionalidade tá aí, mas a taxinha ainda é salgada. Mas, já que você, Xandão, vai ter que usar… bem que podia dar uma olhada nisso pra nós, né?
Esse momento escancara o que eu venho refletindo faz tempo: a relação entre política, tecnologia e finanças está cada vez mais explícita. E o Brasil, querendo ou não, está mostrando uma alternativa. Sem gritaria, sem discurso inflamado… apenas com boas ideias na prática.
O crédito no Pix pode ser só mais uma ferramenta de consumo, uma armadilha ou pode virar um pilar estratégico de soberania financeira nacional.
Isso só o tempo vai dizer…

Comentários